quinta-feira, 24 de outubro de 2013

80 anos do artilheiro que não sorria


                                  80 anos do artilheiro que não sorria               

A vida de Quarentinha está contada na sua excelente biografia, sob o título de “Quarentinha o artilheiro que não sorria”, escrita por Rafael Casé. Aqui nós queremos homenagear o grande artilheiro que era temido pelos goleiros em razão de seu potente chute. 

No dia 15 de setembro de 2013, Quarentinha completaria 80 anos. Tivemos a oportunidade de vê-lo jogar e várias oportunidades estufar as redes adversárias, vestindo as camisas do Botafogo, Bonsucesso e das seleções carioca e brasileira.

O garoto Waldir da Silva Labrego, quando começou a dar os primeiros passos no futebol nas peladas e no time do colégio, era identificado como o filho do Quarenta, conhecido jogador do Paysandu, e passou a ser chamado de Quarentinha. O menino Waldir seguiu as pegadas do pai e vestiu a camisa azul e branca do Papão do Curuzu.

A ida para o Botafogo

A fama de artilheiro e a potência de seus chutes atraíram os dirigentes de outros clubes fora de seu estado natal. Num jogo diante do Vasco, cujo time realizou alguns amistosos pelo norte do país, Quarentinha marcou os três gols do Paysandu na goleada de 9 a 3 sofrida pelo clube paraense. Era uma grande façanha marcar três gols na defesa campeã carioca de 52 e no famoso goleiro Barbosa.

Contratado pelo Vitória, de Salvador, Quarentinha chegou a disputar o campeonato brasileiro de seleções em 1953, ocasião em que seu bom futebol teve maior visibilidade. Com o aval do técnico Gentil Cardoso, o clube de General Severiano apresentou a proposta para comprar o passe do artilheiro do Vitória. A quantia oferecida e aceita pelo clube baiano era de trezentos e cinquenta mil cruzeiros.

Mesmo com tudo acertado entre os dois clubes, Quarentinha somente viajou para o Rio após assinar o contrato com o Botafogo. Sua estreia com a nova camisa ocorreu no dia 26 de junho de 1954 contra o São Paulo. A partida válida pelo Torneio Rio-São Paulo terminou com a vitória do Botafogo por 5 a 1, gols de Dino (2), Carlyle, Paulinho Omena e do estreante Quarentinha de pênalti. A batida da penalidade máxima impressionou pela violência do chute que estufou a rede do goleiro Poy.

O empréstimo ao Bonsucesso e a volta por cima

Escalado em várias oportunidades fora de sua verdadeira posição, os gols escassearam. De temperamento introvertido, Quarentinha não reclamava mesmo quando jogava nos aspirantes. Desestimulado passou a não se cuidar e cometer alguns atos de indisciplina. Para castigá-lo a diretoria presidida por Paulo Azeredo resolveu emprestá-lo ao Bonsucesso depois da péssima campanha do time no campeonato de 55 quando não se classificou para a disputa do terceiro turno.

Em Teixeira de Castro, reencontrou Gentil Cardoso que conhecia seu potencial. Na equipe rubro-anil formou uma excelente ala esquerda com Nilo. Os gols voltaram a aparecer no campeonato carioca de 1956.

No ano seguinte, João Saldanha assumiu a direção técnica do Botafogo. De volta a General Severiano, Quarentinha encontrou em Saldanha um verdadeiro amigo e uma equipe bem diferente. Nela passou a ser peça da maior importância. Ele, Garrincha, Didi, Paulinho Valentim e Edson formaram a linha atacante campeã carioca de 1957.

Seus gols com a camisa alvinegra se sucediam e Quarentinha foi artilheiro carioca por três temporadas consecutivas: 20 gols em 58; 25 em 59 e 25 em 60. No Rio-São Paulo de 1962 atingiu a marca até hoje não superada de 36 gols. Quarentinha nas 446 partidas com a camisa da estrela solitária marcou 313 gols e é o maior artilheiro da história do Botafogo.

A excelente média de gols na seleção

Em dezessete partidas na seleção brasileira, Quarentinha assinalou 17 gols, obtendo a média de um gol por partida. Sua estreia aconteceu contra o Chile, no dia 17 de setembro de 1959, no Maracanã, pela Taça Bernard O`Higgins. O Brasil venceu por 7 a 0, gols de Dorval (3), Quarentinha (2), Pelé e Dino Sani. No segundo jogo diante dos chilenos, em São Paulo, o Brasil ganhou por 1 a 0, gol de Quarentinha.

Em maio de 1960, Quarentinha esteve com a seleção brasileira na Europa e na República Árabe Unida. Marcou dois gols contra o Egito (Brasil 3 a 0), um diante do Malmoe, da Suécia (Brasil 7 a 1), dois frente a Dinamarca (Brasil 4 a 3) e um contra o Sporting (Brasil 4 a 0). No ano seguinte fez um gol na partida diante do Paraguai (3 a 2).

O nome de Quarentinha constou da lista de convocados para a Copa de 62. Aymoré Moreira preferiu levar Coutinho, do Santos, e cortou o atacante do Botafogo.

Em 1963, o selecionado brasileiro realizou mais uma excursão por países europeus, jogando também no Egito e em Israel. Quarentinha marcou contra o Egito (Brasil 1 a 0) e fez dois gol diante de Israel (Brasil 5 a 0) e um frente a seleção de Berlim (Brasil 3 a 0).
A saída do Botafogo e o fim da carreira

No último ano em que vestiu a camisa alvinegra, Quarentinha pouco vezes jogou na equipe titular. As propostas chegavam à diretoria alvinegra para a compra de seu passe e o clube não o deixava sair.

Finalmente, em fevereiro de 65, o Botafogo vendeu o passe de Quarentinha para o Union Magdalena, da cidade colombiana de Santa Marta. Jogou depois no Deportivo Cali e no Atlético de Barranquilla.

Quando retornou ao Brasil, em 1968, Quarentinha estava com 34 anos. Jogou por pouco tempo no Olaria e foi encerrar a carreira no futebol catarinense, onde atuou por três clubes:
No campeonato carioca de 1954, Quarentinha formou com Dino e Carlyle o trio atacante alvinegro
 
No campeonato carioca de 1956, Quarentinha dribla Chamorro e marca contra o Flamengo
 
Em 1959, Quarentinha integrou a seleção brasileira: em pé, Djalma Santos, Zito, Belini, Coronel, Orlando e Gilmar; agachados, Mário Américo, Dorval, Dino Sani, Quarentinha, Pelé e Zagallo
 
 
Antes da final do campeonato estadual de 1962, Quarentinha, Armando Marques e Jordan. O Botafogo venceu por 3 a 0.
 
Quarentinha dá a meia bicicleta, Fernando solta e Garrincha marca o terceiro gol do Botafogo
 
No Atlético Júnior de Barranquilla, Quarentinha jogou com Oto, Dida, Romeiro e Othon
 
"Quarentinha o artilheiro que não sorria", biografia escrita por Rafael Casé
 
América, de Joinville, Hercílio Luz, de Tubarão, e Clube Náutico Almirante Barroso, de Itajaí.

O maior artilheiro da história do Botafogo perguntado por que não vibrava após um gol, respondia: “Sou pago para fazer gols.”                                                   

 

                                 

 

Otávio, craque no campo e na prancheta


                                      Otávio, craque no campo e na prancheta


Foram quatro horas de bom papo, belas recordações e muita emoção pela lembrança dos amigos que não se encontram mais entre nós. Otávio Sérgio da Costa Moraes nos recebeu em seu apartamento na Rua Francisco Sá, em Copacabana, no dia 3 de março de 2004:

“Na minha infância já tinha uma grande ligação com o futebol, porque meu pai jogava no Paysandu. Ele foi fundador e jogou na primeira representação do clube no campeonato paraense. Na minha vida toda de garotinho, eu assistia os meus tios e o meu pai jogando futebol na rua. Nunca os vi jogar num campo, a não ser meu pai. Minha mãe também tinha irmãos. Era muita gente jogando bola. Eu fiquei apaixonado pela bola igual a eles. 

As lembranças da infância

Vim com meu pai para o Rio de Janeiro em 1931 com oito anos. Nós íamos para a praia do Flamengo e o velho adorava jogar bola. Era uma bola de borracha e ficávamos jogando um para o outro. Freqüentando a praia comecei a jogar na areia. Na praia tinham uns rapazes que após o expediente começavam uma pelada às 5 horas da tarde. No verão a pelada ia até mais tarde Eu era garotinho, com 14 anos, peruando um lugar. Eles não me deixavam jogar, porque eram rapazes de 23 anos. Uns eram jornaleiros, outros motorneiros. Naquele tempo os bondes tinham uma garagem no Largo do Machado. Depois eu entrei nessa e iniciei jogando bola na areia.

Minha família, posteriormente, se mudou para Copacabana e fiquei internado no Colégio Saleciano Santa Rosa. O colégio possuía cinco campos e não fiz outra coisa a não ser assistir aula e jogar bola.

O primeiro time e a comparação com Romeu

Meu primeiro time foi o Boca Juniors que era dos rapazes do Largo do Machado. O time era organizado e a camisa era igual a do Boca, amarelo e azul. Jogávamos pelos subúrbios contra times de ruas da Tijuca e de outros lugares. Eles achavam que eu era um garotinho que fazia gol e me levavam. Eu chegava lá, fazia os gols e eles adoravam. Nessa época, eu já estudava no Santo Antônio Maria Zacarias, no Catete. O time do colégio era muito bom e no campeonato colegial, no campo do Flamengo, nós fomos campeões. No dia seguinte, o Globo Esportivo publicou minha foto com a seguinte legenda: “Otávio, o futuro Romeu das nossas canchas”. Primeiro, eu não jogava o futebol fantástico do Romeu; segundo, Romeu era armador e eu um finalizador. Para mim era um elogio”.

Das Laranjeiras para General Severiano

O garoto revelação do futebol de praia, dos torneios nos subúrbios e do bom time do colégio passa a jogar num grande clube:

“Eu vivia no Fluminense como escoteiro, jogando bola também. Um dia me chamaram para jogar nos juvenis. Não era minha vontade. Eu queria jogar descalço na areia. Eu era peladeiro, queria jogar pelada. No Fluminense, passei para o time amador. Nessa categoria não tinha idade. Muitos profissionais quando paravam de jogar, iam para o amador. O Nascimento, reserva do Batatais, foi nosso goleiro. Depois de uma partida à noite, no campo do Fluminense, o Kanela e o Chico Barbastéfano, da Casa da Borracha, me chamaram para o Botafogo. O Botafogo era campeão e possuía um time fantástico. Falei com o Kanela que não tinha vaga para mim. Ele me disse que alguns estavam se formando em Direito, entre eles o José Américo, filho do José Américo, Governador da Paraíba, e não iam mais jogar futebol. O Togo que era uma figura extraordinária, antes de se despedir, virou-se para mim e disse: “Você vai receber um conto e oitocentos para jogar”. O que você falou? Respondi. Ele repetiu: “Um conto e oitocentos por mês”. Era uma fortuna. Perguntei: por que você não falou isso antes? Ele falou: “Porque a melhor notícia tem que ser dada no final. Lá todo mundo recebe. Nós jogamos um futebol profissional. Só não pagamos ao Paulinho Tovar.” Ele era  a estrela do time e eu já sabia que o pai dele, o Dr. Tovar, Procurador Geral da República, era contra o profissionalismo. O filho dele não ia receber nunca. O Paulinho pouco se importava, ele queria é jogar bola”.

A liderança de Kanela

Otávio conviveu diretamente com Togo Renan Soares, o popular Kanela, e nos fala sobre essa figura polêmica e carismática, que se tornou o maior técnico na história do basquete brasileiro e, também, vitorioso no futebol:

“O Kanela foi um extraordinário treinador de futebol e de basquete. Ele sabia como puxar de dentro de você a vontade de ganhar que todo mundo tem. Mas, tem umas ocasiões que você está bem marcado, não consegue se mexer, o cara é melhor do que você. Batalha, batalha e não consegue nada. Você começa a ter certo desânimo e chega à conclusão que aquele não é o seu jogo. O Kanela era capaz de despertar a tua vontade de ganhar. Cada um ele tratava de modo diferente, o que é essencial num treinador. A mim, só notei muito depois, ele conseguia me irritar. Piadinhas no vestiário. No vestiário dizia: “Você não ganha uma daquele negão”. Eu no cantão zangado comigo mesmo e ele vinha: ”Quer sair?” Como eu quero sair. Ele prosseguia: “Você pegou o negão e não está conseguindo ganhar uma. Talvez, você queira fugir da raia e deixar o negão ir prá casa, dizendo que não deixou você andar”. Eu já meio irritado desabafava: eu não quero nada cara, quero voltar para o segundo tempo e arrebentar esse negão, você, todos juntos. Você ficava contra ele e jogava contra ele. E jogando contra ele, o melhor que você podia fazer era fazer três gols em cima do negão, depois chegar ao vestiário e dizer: viu cara, você encheu meu saco no vestiário e agora fica aí batendo palmas que nem um babaca. Ele respondia: “Pois é, eu fico batendo palmas que nem um babaca e você fica que nem um babaca quarenta e cinco minutos sem passar pelo negão, que não era tão difícil como você pensava”. Kanela tinha razão.

Os títulos de amador, que era “marrom”, foram muitos. O Botafogo foi tricampeão. Eu não fui tricampeão, porque quando entrei o time já tinha sido campeão antes. Quando acabou a divisão de amadores, entraram os aspirantes e fomos quatro vezes campeões da categoria. A equipe era a mesma e jogava por música”. 

A despedida de Heleno, a liderança de Carlito e o título de 48

Em 1944, com vinte e um anos, Otávio assinou contrato, verdadeiramente, como profissional com o Botafogo que depois de seguidos vice-campeonatos chegou ao inesquecível título de campeão carioca de 1948:

“Quando completei vinte e um anos, meu pai achava que o contrato que o Botafogo pretendia era unilateral, e era. Meu pai falou para mim: “Você já tem vinte e um anos e resolva a sua vida. Eu não vou ser cúmplice do Botafogo. Por enquanto, você está jogando bola. Eu não acho que você joga toda essa bola, mas eles acham. Eles querem contratar você. Tudo bem. Mas, o que eles gastaram? Quem pagou médico fui eu. Quem pagou dentista fui eu. Quem fez de você um garoto forte prá cacete fui eu. Agora, quando eles venderem seu passe, o dinheiro vai ficar com eles. Você receberá o quê?”É verdade. Depois a vida inteira, nós como veteranos batalhamos pelo direito do passe e conseguimos vencer. Hoje o jogador tem pela lei participação na venda do passe.

A seqüência de vice-campeonatos sempre passou pela cabeça de todos nós. O Botafogo tinha alcançado resultados muito bons, chegando aos vice-campeonatos com times excelentes. Se você analisar a escalação dos jogadores, verá que o Botafogo teve times individualmente sensacionais. Acontece que em 48, o fato mais importante de todos foi o aparecimento de um guia, de um estímulo. Carlito Rocha representou tudo isso. Ele com enorme dignidade era mais do que um presidente. Tinha um passado no clube e grande carisma. Nós já o conhecíamos, ele era um botafoguense quase da fundação, da geração depois da fundação. Ele nos cativou como um pai. Os jogadores que compuseram o elenco pareciam que tinham sido escolhidos pelo destino. Paraguaio tinha 19 anos e era o ponta-direita do juvenil. Vários jogadores atuavam na ponta-direita, no entanto aparece um menino, indiozinho com uma espontaneidade, uma explosão, rapidez, facilidade de ir à linha de fundo fantásticas. O Pirilo, dispensado do Flamengo pelo Flávio Costa, foi contratado pelo Carlito que acreditava nele. Pirilo era um jogador sensacional, mas estava com uma lesão no joelho. Jogava de joelheira, teria que operar, mas tinha medo. Chegou ao Botafogo estava muito sentido com o Flávio por tê-lo dispensado. É muito triste para o jogador que fez um nome ser dispensado, porque está velho, fora de forma, etc, etc... O cara não aceita. Acha que, ainda, pode dar. Era isso que o Pirilo sentia e queria provar ao Flávio que ainda podia jogar futebol. Jogou extraordinariamente e contra o Flamengo destruía. Somava a vontade de ganhar com a raiva. Ávila veio do Internacional, onde tinha conquistado oito títulos de campeão. Também dispensado, chegou como se o futebol dele tivesse acabado. Ele não concordava, queria jogar, era um jogador extraordinário e mostrou  o seu futebol de grande categoria. A escalação do Rubinho por exemplo. Rubinho era half direito e jogava na areia. Jogava na Urca com o Paulinho Tovar. Atuou nos aspirantes, era baixo, mas muito forte. Escalado como half, saía do chão com facilidade com os seus 1,66 de altura. Era bom no chão e no alto. Apareceu o Nilton Santos que não tinha passado. Nunca vi no mundo inteiro jogadores com a história do Nilton Santos e do Garrincha. Ninguém ensinou nada para eles. Não tiveram treinadores e jogaram um futebol que ficou para história. Se você procurar não vai encontrar ninguém melhor do que eles no Brasil e no mundo. Entretanto com defeitos hilários. Nilton Santos bate na bola de “barroso”, isto é, bate na bola com o pé prá dentro. Um cara com aquela categoria que não sabe chutar. Ele aprendeu? Não. Quando ele chegou, fez um treino, tomou conta da posição e ninguém perguntou nada. Quem ensinou? Deus.

Começamos o campeonato perdendo para o São Cristóvão por 4 a 0. Primeiro, o adversário tinha um time muito bom. Depois, em minha opinião, nós estávamos mal escalados. Nilton Santos já devia ter jogado. Marinho, pai do Fred e do PC, foi deslocado da direita para esquerda. Ele era destro e do lado esquerdo ficou pior, porque pegou o Santo Cristo. Nilton Cascão não estava bem. Os gols foram surgindo até os 4 a 0.

Nós ficamos arrasados com a derrota. Aconteceu um fato muito importante que muitas pessoas não sabem. O Heleno tinha sido vendido para o Boca, e antes de viajar foi assistir a partida. Ele ficou nas cadeiras cativas localizadas naquele cantinho no lado do túnel do Pasmado. Nós vimos quando ele entrou, sempre bem vestido. A torcida o aplaudiu e gritava Heleno, Heleno! Seu Carlito tinha sido o responsável pela venda. Virou o 1o tempo 2 a 0 e o Neca, jogando um bolão, dificultava mais as coisa para nós. Neca depois jogou conosco no Botafogo e a sua presença foi importantíssima. Ele criou e foi o primeiro treinador de escolinha de futebol. O Dr. Ademar Bebiano, dono da Nova América, em Del Castilho, chamou o Neca quando ele parou de jogar e o convidou para criar a escolinha no campo da fábrica. Neca foi contratado e naquele momento estava fundada a primeira escolinha de futebol do mundo. Voltando ao jogo, quando eles fizeram 3 a 0 o Heleno saiu. Estávamos tomando aquele vareio e de repente ouvimos aquelas palmas.

Quem conhece o Botafogo sabe que para sair daquele cantinho, basta descer às escadarias, virar à esquerda e chegar à portaria de entrada de General. Heleno não seguiu esse caminho. Abriu o portão que dividia às cadeiras cativas das arquibancadas e passou pelo meio da multidão sendo aplaudido de pé. Jogada de astro de Hollywood. O jogo parou e só se ouvia as palmas. Nós naquela situação terrível e o sacana fez o nome dele. Cumprimentado por todos, quase saiu carregado. Ficamos vendo a tristeza do Seu Carlito, vencido. Tinha vendido a estrela. Não chegamos a conversar sobre o fato. A reação veio espontaneamente e a partir dali ficamos trinta e seis partidas sem perder. Por incrível que pareça, pouca gente sabe que também é uma verdade e eu não sou o dono da verdade. Eu só sou um velho que se lembra. Só isso. Nós ganhamos trinta e seis partidas depois de perdermos de 4 a 0. E, tem mais, nunca jogamos na frente do marcador. Sempre demos a volta por cima. Isso eu não sei explicar. Parecia coisa feita. A gente entrava e pimba 1 a 0 contra. Cacete, nós tocamos a bola, dominamos o jogo, sai um vagabundo, mete uma porrada e gol. Não contente mais um. Aí a gente dois a um, dois a dois, três a dois, quatro a dois, cinco a dois. Fartamos de fazer isso. É só consultar. Sobre o time e o título tem explicação: Carlito Rocha.

            Antes da partida final nós viramos em cima do Olaria. Estávamos perdendo por 3 a 1 e faltando 16 minutos fizemos 4 a 3. Tivemos no decorrer do campeonato alguns contratempos devido a algumas contusões. Contra o Vasco fomos prá cima. Depois de dezesseis anos, tínhamos a possibilidade de sermos campeões. Zezé Moreira estava com muito medo. Nós jogadores, ao contrário, estávamos tranqüilos. O problema era o Gerson dos Santos que passou a noite com 39o de febre. Seu Carlito chegou com o Gerson e reuniu todo mundo. Comunicou que o Dr. Paes Barreto tirou a temperatura do Gerson e naquele momento ele estava com 38o e que iria jogar o Marinho. Carlito Rocha nos perguntou: “O que vocês acham?”. Ninguém disse nada. Carlito se dirigiu ao Geninho. Geninho possuía o maior QI que já vi na minha vida. O currículo dele era Cabo da Polícia Militar de Belo Horizonte. Ele e o Tim foram os maiores QIs que conheci. Que cabeça eles tinham. Os dois me dão um banho e eu sou universitário. Então, o que aconteceu: “Geninho, parece que você não está muito satisfeito”. Geninho com o seu jeito de mineiro falou: “Olha Seu Carlito, a gente não pode estar satisfeito sabendo que vamos perder o Dudu”. Era o apelido do Gerson porque nós achávamos que ele tinha cara de palhaço. Ele ficava puto. Carlito perguntou: “Você tem alguma sugestão?” Geninho prosseguiu: ”O que o senhor está dizendo é o que nós sabemos. Quero dizer que o pessoal do Vasco não sabe de nada. A presença do Gerson na nossa cabeça de área é fundamental e o senhor sabe disso” E era verdade. Carlito perguntou ao Gerson se ele jogaria e a resposta foi positiva. No jogo, ele teve um choque de cabeça com o Dimas. Quando o Dr. Paes Barreto foi socorrê-lo ele perguntou: “Onde é que eu estou”. Gerson teve que sair e nós passamos a jogar com dez. Só que o Rubinho queria ir para central de área, porque jogava nessa posição lá na Urca. O Paraguaio disse: “Não, eu sou o melhor central da minha terra e vou substituir o Gerson”. Eu cheguei e falei: vocês dois babacas discutindo quem vai ser o central de área. Geninho deu razão ao Paraguaio, porque nós mexeríamos em apenas uma posição. E fizemos apenas uma alteração. Futebol é um jogo, como qualquer esporte, inventado para inteligentes. Paraguaio cumpriu a missão sensacionalmente. O Pirilo voltou um pouco e eu fiquei na frente enfiado. Não ficava isolado porque o Pirilo sempre aparecia. Ele jogava xadrez. Se mexia bem, se deslocava bem. Quando eu pegava o marcador mano a mano, só ele aparecia. O marcador ficava numa merda muito grande, porque se viesse em mim eu dava para o Pirilo. O Eli não saía de dentro da área. Vamos esperar. Se ele sair nós metemos para o Otávio por cima e fica só o Wilson. O Augusto pode vir também, mas se passarmos pelo Eli vai ficar um buraco entre o Augusto e o Wilson. Com dez, nós cercávamos o time do Vasco. Eu não voltava. Quando queria ajudar, o Juvenal e o Geninho gritavam comigo: “Fica lá, fica lá”. Quando o Eli tentava sair, o Danilo alertava: “Volta, olha o Otávio lá”. Ficamos esperando, até que o Danilo ficou prensado e o Eli apareceu para receber. O Eli não sabia apoiar, meteu para o Maneca e o Juvenal cortou. O Juvenal deu para o Ávila que jogou por cima. O Augusto viu que eu entrava, mas chegou atrasado. Eu dominei no chão e não dei tempo para o Wilson chegar a mim. Correndo levei para perna direita, a boa, e pensei que ao passar pela linha da grande área ia chutar, para não ser alcançado. Olhei para o gol e o crioulo estava apavorado. Olhei e vi o olho do crioulo. Pensei, ele vai me dar um lado e ficar no outro. Como entrei um pouquinho para esquerda, ele abriu para esquerda. Levantei a cabeça, não precisei mais olhar para bola. Olhei novamente para o olho do crioulo. Comentamos depois sobre esse lance. Eu disse ao Barbosa: você como grande goleiro que é, deixou um canto prá mim e eu chuto no canto que você quer. Só que eu pensei o seguinte: esse crioulo é um grande goleiro. Se deixou um canto é porque vai lá. Então, vou dar uma pancada no gol e se pegar nele, eu mato. Dei uma porrada que passou entre ele e o travessão”. 

A saída do Botafogo e as propostas de Modesto Roma

O Botafogo após a conquista do título carioca de 1948, só voltou a ser campeão em 57. Otávio nos fala sobre o que aconteceu depois de 48 até a sua saída do clube:

“Nós fizemos a partir de 48 campeonatos muito bons. Chegamos aos anos seguintes até o quarto lugar. Em 51, ficamos em 3o a um ponto do Fluminense e do Bangu que decidiram o título. Nós perdemos do Madureira por 2 a 1, em Conselheiro Galvão, e eles bateram muito”.

 Depois de mais de dez anos de Botafogo, Otávio deixou o clube de seu coração:

“Minha ligação com o Botafogo era muito forte e a minha saída foi difícil. Eu entrei em litígio com o Brandão Filho, diretor de futebol profissional, que era um amigo. Houve um incidente num treino. Ele levava sempre dois guarda-costas armados. Isso não tem nada a ver, cria constrangimentos. Entre os atletas de todos os esportes havia muita união. Nós estávamos acabando de treinar para depois a turma de o atletismo realizar seu treinamento. Enquanto isso, alguns atletas ficavam correndo em torno do campo. Um dia, o Brandão cismou e mandou parar o treino. O Carvalho Leite era o treinador. Aí, o Brandão expulsou os atletas de campo que saíram tranqüilamente. O atletismo do Botafogo era campeão brasileiro e vários atletas da equipe eram campeões sul-americanos. Nós ficamos no meio do campo e o Gerson comentou: “Esse homem não pode fazer isso com essa rapaziada”. O Geninho concordou conosco, mas disse que não podia fazer nada Então, falei: você não pode porque é investigador e trabalha na delegacia dele. O Emil Pinheiro também era investigador e trabalhava com o Brandão Filho. Combinamos falar com o homem, sem o Geninho. Fomos eu, Gerson e o Pirilo. Explicamos ao Brandão que estávamos nos sentindo culpados pelo que aconteceu e considerávamos aqueles atletas glórias do clube. Ele nos olhou e disse: “Vocês querem que eu peça desculpas”. O Gerson falou: “Sim, porque nós vamos pedir desculpas a eles”. O Brandão Filho deixou claro: “Fiz o que tinha que fazer e não peço desculpas a ninguém”.

Eu sou botafoguense e, em São Paulo, sou peixe. Eles me trataram com a maior cordialidade. O presidente era o Modesto Roma que tinha muito do Carlito Rocha. Um homem alto, rico, agente marítimo, possuía uma frota de navios em Santos e exportava muitos produtos para a Europa. Ele alugava as embarcações e fazia a exportação. Ele veio ao Rio para me levar para o Santos e me disse que iria formar um time a fim de marcar época na história do futebol paulista e brasileiro. Formou a equipe com: Manga, do Bonsucesso, Carlyle, Hélvio, Nenem, Zito, Formiga, Tite, Telesca. Terminamos o campeonato de 1952, em 3o lugar.

Eu não queria sair do Botafogo, mas o Brandão Filho enviou uma carta para mim me autorizando a procurar clube. Tanto que eu o procurei e disse-lhe que não ia procurar clube. O senhor que está querendo a minha saída, procure um clube prá mim. Coloque meu passe à venda. Onde já se viu uma mercadoria se autovender. Aí, apareceu o Santos. Tudo o que eu pedi, o Modesto Roma fez. Assinei por dois anos com a promessa de no fim do contrato ser o arquiteto, eu já estava formado, da firma construtora que ele iria abrir e responsável pela construção de um estaleiro e pelos projetos para fabricar seus próprios navios. Parece mentira, mas eu não minto. O Modesto me disse: “Você vai ser um homem rico” Eu teria de viajar com minha mulher e meu filho para Amsterdã, a fim de estudar arquitetura naval. Quando fui para o Santos, já estava exercendo a profissão de arquiteto, na equipe do Jorge Moreira, na Cidade Universitária. Então, solicitei que ele me indicasse clientes e montasse um escritório completo para mim em Santos.  Na sede da firma dele, o Modesto montou o escritório. Fui a São Paulo e comprei todo o equipamento para o escritório, pago por ele. O cliente que me foi apresentado era uma Congregação de Padres chamada Operários de Jesus. Os padres queriam construir num terreno, um edifício com um cinema embaixo e apartamentos em cima para alojar os membros da congregação que fossem a São Paulo Aluguei uma casa na praia de São Vicente e passei a me ocupar com a arquitetura e o futebol. Fiz o projeto e começamos a construir. Tudo corria bem. Até que comecei a sentir uma falta enorme, não sei de que, do Rio de Janeiro. Procurei o Modesto Roma e expliquei a situação. Ele ficou decepcionado. A diferença entre São Paulo e o Rio é muito grande. Quando estávamos em campo todos éramos amigos. Depois ninguém me procurava e eu também não procurava ninguém. Fazer uma amizade era difícil. Era uma sensação esquisita. 

O convite de Zezé e o não dos dirigentes

Quando retornei ao Rio, o Zezé Moreira estava treinando o Fluminense. Falei com ele que conseguiria o empréstimo do meu passe junto ao Santos. Com 29 anos, considerado velho naquela época, não seria fácil encontrar um clube para comprar meu passe. Viajei com o pessoal do Fluminense numa excursão à Colômbia. Retornamos e o Zezé me disse que os diretores não se interessaram em assinar contrato comigo, porque eu já estava velho. Joguei, ainda, um período na Portuguesa da Ilha do Governador.

Como considerei não ter dado ao Santos o retorno pela compra do meu passe, procurei o Modesto Roma com um cheque no valor das luvas por mim recebidas. Ele disse que o cheque era meu. Ponderei que não havia cumprido o contrato com o Santos. “Só você mesmo. Nunca encontrei na minha vida alguém como você. Você é uma das pessoas mais dignas que já encontrei”, foi à resposta dele. Em 1961, ele não era mais presidente do Santos, e nós nos encontramos. Fomos almoçar no restaurante da firma dele em Santos. Acabamos de almoçar e fomos até a janela. Ele olhou para mim e disse: “Trouxe você aqui para ver a construtora que eu fundei e que você deixou para voltar para o Rio, quando o projeto tinha que ser seu. Estou mostrando para você saber que tudo o que eu tinha prometido era verdade”.

Otávio na seleção brasileira

Otávio também vestiu a camisa da seleção brasileira:

“O Flávio Costa adorava meu futebol. Ele achava que eu fazia uma armação muito boa e finalizava. Quando ele me convocou pela primeira vez, eu era titular do aspirante do Botafogo. Fiquei como reserva do Heleno e do Leônidas. Perguntei ao Flávio o que iria fazer na seleção, tendo aqueles dois caras. Ele me disse que se os dois começassem com frescura seriam mandados embora, porque estavam sempre com probleminhas e eu entraria. Essa convocação foi para o sul-americano de1945. Heleno e Leônidas se comportaram bem e eu fui cortado.

Veio mais tarde à convocação para o sul-americano de 1949 e rendi muito pouco. A camisa pesou muito. Eu nunca pensei que um dia estaria perfilado ouvindo o hino nacional, no campo do Vasco, ao lado do Zizinho. Os meus ídolos estavam ao meu lado”.

O craque arquiteto

O arquiteto Otávio, cuja escolaridade e a formação cultural estavam acima da média do jogador de futebol, diz como era a convivência com seus companheiros de profissão:

“Sempre tive por eles uma profunda relação de amizade. Tenho grande facilidade de adaptação com a maioria das pessoas. Eu me dou bem com todo mundo. Eu amo o ser humano. Nunca posei de intelectual prá eles. O respeito deles por mim era grande, por terem um amigo de quarto, de farra, de bebedeira, de jogo, que tinha feito algo que eles não conseguiram fazer. Todos tinham a vontade de ter feito isso, mas não puderam por várias razões. Minha família não era pobre, nem rica. Meu pai era gerente de banco, só isso. Eles tiveram uma vida difícil. Eu estudava, fazia trabalhos, desenhava nas concentrações e eles olhavam, perguntavam. Sempre os respeitem e nunca fui à última palavra. Quando  apresentavam alguma solução, eu sempre seguia porque eram muito criteriosas. No Botafogo tinham setores: o Gerson era o xerife da defesa; o Geninho comandava o meio-campo, o ataque e era o capitão. O Nilton Santos era igual ao Ademir, não queria saber da estratégia do jogo. Já o Zizinho, o Tim, o Geninho eram muito interessados. Tanto que foram bons treinadores. Tanto que houve um caso muito engraçado. Antes dos coletivos o Zezé reunia todo mundo e dizia as mesmas coisas. É uma época maravilhosa na vida da gente. Todos moços, cheios de energia, muita gozação. Aí, o Geninho inventou a sacanagem depois da preleção do Zezé: “Posso dar uma sugestão?”Não tinha sugestão nenhuma. E o Zezé respondia: “Não quero sugestão”. Ele ia embora e a gente ficava rindo. Combinamos de fazer a pergunta sempre que fosse possível. O próximo fui eu e seguimos por muito tempo com a brincadeira. O Zezé nunca percebeu que era sacanagem. Todos fizeram isso. Quando chegou a vez do Nilton Santos, ele disse que tinha vergonha. Agora, depois de velho, está falante. Está igual ao Didi”.

Os maiores craques do Brasil e o melhor marcador

Otávio aponta as figuras que mais o impressionaram no futebol brasileiro:

“É muito difícil dizer, porque as condições do futebol não são as mesmas. Nós veteranos da velha guarda nas nossas conversas costumamos comparar o futebol com um avião. Somos um DC-3 que levava daqui a Belém cinco horas. O Pelé é um Constelation, já entra na era do jato, com todo o conforto e enorme segurança de vôo. O Ronaldinho e todos esses meninos são o Concorde Eles têm uma medicina esportiva melhor, um preparo físico melhor.

O melhor goleiro, ainda, foi o Manga. Na zaga, destaco Domingos da Guia e Nilton Santos. Dependendo do esquema de jogo, no meio-campo, Jorginho que jogou na Alemanha. Meu melhor marcador foi o Mauro Ramos. Injustiçado ficou no banco da seleção desde 49. Em 50, ficou na reserva do Juvenal. Chegou a ser banco do Wilson. Em 62, foi titular e falou com o Aimoré: “Biscoito, vou para ser titular”.

Joguei contra o Mauro várias vezes na seleção e no Botafogo. Ele sabia o que nós atacantes íamos fazer, porque ele estudava todas as nossas características”.  

Na Portuguesa, da Ilha do Governador, clube onde encerrou a carreira, Otávio jogou todo o 2º turno do campeonato carioca de 1953. Estreou diante do Madureira, em Conselheiro Galvão, no dia 27 de setembro, na 1ª rodada do returno. A lusa carioca venceu por 2 a 1 e Otávio abriu a contagem com um belo gol de bicicleta.

A Portuguesa nos dez jogos restantes obteve sete derrotas e uma vitória. No triunfo sobre o Canto do Rio por 4 a 0, Otávio marcou um dos gols.
 
Em 1943, Otávio chegou ao Botafogo e integrou a excelente equipe amadora dirigida por Kanela: em pé, Cid, Ruy, Alfredo, Dunga, Hélio e Boliviano; agachados, Afonsinho, Tovar, Otávio, Guttemberg e Renê 
 
Na vitória sobre o Vasco por 2 a 1, no turno do campeonato carioca de 1948, Otávio disputa a bola com Augusto
 
Otávio salta com Milton, goleiro do Madureira, em partida válida pelo campeonato carioca de 1948
 
Artilheiro do campeonato carioca de 1948 com o tricolor Orlando "Pingo de Ouro", o atacante toca a bola para o fundo da rede de Alvarez, goleiro do Bonsucesso
 
Otávio recebe do jornalista Mário Filho, do Jornal dos Sports, o troféu de artilheiro do campeonato carioca de 1948
 
Em 1949, na seleção brasileira, Otávio sagrou campeão sul-americano. O Brasil goleou os peruanos por 7 a 1: em pé, Eli, Wilson, Barbosa, Augusto, Danilo, Noronha e Johnson (massagista); Mário Américo (massagista), Tesourinha, Zizinho, Otávio, Jair e Simão 
 
No Torneio Rio-São Paulo de 1952, vemos uma das formações do Botafogo: em pé, Tomé, Osvaldo, Nilton Santos, Arati, Ruarinho e Carlito; agachados, Braguinha, Geninho, Pirilo, Otávio e Jaime 
 
No campeonato paulista de 1952, antes da partida Santos e Radium, de Mococa, Otávio conversa com Carlito, seu ex companheiro de Botafogo
 
Em 1953, Otávio aceitou o convite de Zezé Moreira e excursionou por gramados sul-americanos com o Fluminense. Time tricolor antes da partida diante do Atlético de Barranquilla: em pé, Píndaro, Jair Santana, Emilson, Bigode, Veludo e Duque; agachados, Telê, Robson, Marinho, Otávio e Quincas. 1 a 1 foi o resultado do jogo.   
 
A carreira de Otávio começou no time amador do Fluminense, em 1942.
 
O paraense Otávio Sérgio da Costa Moraes nasceu em Belém no dia 9 de julho de 1923 e nos deixou no dia 19 de outubro de 2009. Em 9 de julho de 2013, Otávio completaria 90 anos.

 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013


O Fluminense na Bienal do Livro                                  

            O convite recebido pelo meu amigo João Boltshauser para participar como palestrante de uma das mesas de debate no estante do Fluminense, na Bienal do Livro, muito me sensibilizou.

           Alguns aspectos foram importantíssimos. Primeiramente, como tricolor, me senti altamente gratificado por ver o meu clube se tornar o pioneiro em marcar presença na Bienal do Livro.

            Quando cheguei ao estante tricolor, encontrei Assis, considerado pela torcida o “Carrasco” do Flamengo pelos gols marcados nas partidas decisivas nos campeonatos estaduais de 1983 e 1984.

            Recordamos grandes momentos da trajetória do Fluminense no tricampeonato estadual, no brasileiro de 1984 e falamos sobre os personagens que em campo participaram daquelas conquistas.

            Tive, também, a oportunidade de conhecer pessoalmente dois brilhantes e conhecidos  jornalistas, o tricolor João Luiz Albuquerque e o corintiano e tricolor Juca Kfouri. Com eles e mais o João Máximo, outro amante das três cores, o americano José Trajano e o escritor Ivan Sant’Anna formamos um time que contou muitas histórias sobre o Fluminense.
            Nos últimos dez anos a edição de livros esportivos, especialmente sobre futebol, se multiplicou. Foram muitas as publicações sobre o Fluminense a partir do centenário do clube em 2002.
            Nesse período, tivemos os 90 anos da inauguração do estádio (1919-2009); os 40 anos do título estadual de 1971; os 40 anos do título brasileiro de 1970; os 30 anos do título brasileiro de 1984; os 40 anos do título estadual de 1973, além de as  últimas conquistas que incluem os títulos dos brasileiros de 2010 e 2012.

            Todos esses capítulos da gloriosa história tricolor estavam à disposição do público em forma de livros. Encerrei o dia na bienal ao lado de meu amigo Valterson Botelho, que relançou a biografia de Waldo, maior artilheiro da história do Fluminense.

            O Flu Memória, com o apoio da Assessoria de Imprensa do clube, foi responsável pela presença do Fluminense na Bienal do Livro. Bolt, Heitor e Daniel formam um trio campeão, que se preocupa com o resgate e a preservação da memória tricolor. Parabéns aos três cracaços!
            Esperamos que o exemplo do Fluminense seja seguido pelos seus coirmãos. Precisamos permanentemente valorizar a cultura esportiva brasileira. A literatura é um bom caminho.
 
 
A partir da esquerda: em pé, Daniel, Heitor e João Luiz; sentados. Juca, Rezende, Assis, Ivan e João Máximo. Nós contamos muitas histórias sobre o Fluminense
 
 
Bolt, Diretor do Flu Memória, e Rezende
 
 
 
Rezende e Assis, ídolo tricolor e "carrasco" do Flamengo nas decisões de os estaduais de 1983 e 84
 
 
 
Rezende e Valterson, autor de a excelente biografia de Waldo, o maior artilheiro tricolor
 
 
 
 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013


                        Flu vence o Fla e é campeão embaixo de chuva

                 O fraco desempenho do time no primeiro turno do campeonato estadual de 1973 determinou a contratação do técnico Davi Ferreira, o popular Duque, para o lugar do veterano Zezé Moreira, que passou a ser o Coordenador Técnico.

                 Duque valorizou a prata da casa e promoveu o goleiro Roberto, Carlos Alberto Pintinho e Cleber, a dupla de meio campo, além de Marquinho e Zé Roberto. Foram barrados alguns medalhões, como Oliveira e Denilson, e o clube contratou Manfrini, ex-Ponte Preta, e Dionísio, ex-Flamengo.

                 Com a paralisação do campeonato devido a uma excursão da seleção brasileira, Duque levou o time para a África, onde longe das críticas pela péssima campanha do 1º turno, arrumou a casa como desejava: muito trabalho, dedicação e disciplina.

                 O Fluminense venceu o 2º turno e o grupo B. Esperou a decisão entre Flamengo e Vasco para saber quem seria o seu adversário na decisão do campeonato.

                 No dia 22 de agosto de 1973, quarta-feira, há 40 anos, a forte chuva não afugentou os 70 mil torcedores que compareceram ao Maracanã.  A emoção esteve presente do primeiro ao último minuto do jogo.

                 Transmitimos esse sensacional Fla x Flu pela Rádio Vera Cruz, 1440 Khz, ao lado dos saudosos e querido companheiros Waldir José, Roberto Feijó e Ademar Gonçalves.

                 O 1º tempo terminou com a vantagem tricolor de 2 a 0, gols de Manfrini aos 40 e Toninho aos 45 minutos. O Flamengo, dirigido por Zagallo, partiu para o ataque e o artilheiro Dario, o “Dadá Maravilha”, marcou aos 25 e 33 minutos do 2º tempo. O Fluminense se recuperou do golpe rapidamente e dois minutos depois Manfrini desempatou. Mais quatro minutos e Dionísio encerrou o placar: Fluminense 4 a 2.

                 Duque nos falou sobre a preparação do time:                                                                                      

     “Pedi para a direção arrumar uma excursão, com objetivo de organizar a equipe. Precisava ficar com os jogadores fora do Rio, treinando duas vezes por dia e fazendo jogos. Fomos para a África e jogamos em Angola, Suazilândia, África do Sul, Namíbia e outros países. Realizamos doze jogos e ficamos invictos, apenas com um empate.

                   A imprensa jocosamente anunciava que ganhar na África não era vantagem, porque lá ninguém jogava futebol. Quando cheguei ao Rio, rebati as críticas, afirmando que a imprensa tinha uma idéia errada do futebol da África, de Jim da Selva, Chita e Tarzan. Ao contrário, o futebol africano era bom e o Fluminense estava preparado para o campeonato.”

            O Fluminense  prestou no último  dia 22 de agosto, em sua sede na Rua Álvaro Chaves, merecida homengem aos campeões estaduais de 1973. A iniciativa de João Boltshauser, Diretor do Flu Memória, sensibilizou grandes ídolos tricolores que fizeram parte do elenco campeão estadual de 1973.

            Estiveram presentes o técnico Duque, o supervisor Emilson Pessanha e os jogadores Manfrini, Jorge Vitório, Silveira, Zé Maria, Dionísio, Jeremias. Todos receberam a camisa triciolor personalizada, lembrando a inesquecível conquista.
            A equipe do Flu Memória merece os elogios de todos aqueles que lutam para manter vivos os fatos e os personagens que construíram a gloriosa história do Fluminense.
            Está de parabéns a equipe do Flu Memória integrada pelo Daniel, Heitor e Bolt. Um trio nota 10.
 
Zé Roberto, preparador físico, o técnico Duque e o supervisor Emilson Pessanha


 
Time do Fluminense, em Lourenço Marques, uma das etapas de a preparação para o campeonato estadual
 
 
 
No empate de 0 a 0com o Vasco, Dionísio salta com Andrada
 
 
 
Na goleada de 5 a 0 sobre o Bangu, Dionísio marca o 2o gol tricolor
 
 
Manfrini abre a contagem na grande vitória por 4 a 2 na final diante do Flamengo
 
 
Dionísio vibra com Manfrini após marcar o 4o gol tricolor no Fla-Flu
 
 
O capitão Assis recebe o abraço do presidente Jorge Frias de Paula
 
 
 
Time do Fluminense campeão estadual de 1973: em pé, Carlos Alberto Parreira, preparador físico, Toninho, Félix, Bruñel, Pintinho, Assis, Marco Antônio e Duque; agachados, Marquinhos, Cleber, Dionísio, Manfrini e Lula
 
 
Homenagem da Rádio Globo aos campeões. A partir da esquerda, Renan França, do Departamento de Promoções, o grande tricolor e jornalista Nelson Rodrigues, Hugo Molinaro, diretor de futebol, o técnico Duque, o repórter Denis Menezes, Bruñel, o vice de futebol Ailton Machado e o radialista Auro Ameno