domingo, 21 de julho de 2013

Surpresa no1o Fluminense e Vasco na era Maracanã


 Surpresa no 1º Fluminense e Vasco na era Maracanã

                Hoje, 21 de julho de 2013, o Maracanã é devolvido ao futebol carioca. Na verdade, é o novo Maracanã que abre seus portões para receber as torcidas de Fluminense e Vasco. As duas equipes não passam por bons momentos no atual campeonato brasileiro.
            O Vasco, de técnico novo, está em fase de reorganização, enquanto o Fluminense, após três derrotas seguidas, precisa reencontrar o caminho da vitória. Até seu vitorioso treinador não é mais unanimidade nas Laranjeiras.
             Normalmente, a mídia esportiva aproveita a oportunidade para resgatar um pouco da história. Os grandes jogos dois clubes, separadamente ou entre eles, no Maracanã e seus heróis.
            Nessa viagem no túnel do tempo, chego ao dia 1 de outubro de 1950, quando Fluminense e Vasco se enfrentaram pela primeira vez no então maior estádio do mundo. Era o primeiro campeonato carioca da era Maracanã.
            O Vasco, após a extraordinária campanha do título invicto no campeonato carioca de 1949, se apresentava como favorito absoluto a mais uma conquista. Além disso, possuía sete jogadores da seleção brasileira que acabara de disputar a Copa do Mundo, dirigida por seu técnico Flávio Costa.
            Sob o comando de Oto Vieira, o time do Fluminense realizava uma das piores campanhas, tanto que terminou o campeonato atrás do Olaria. O clássico da 7ª rodada do 1º turno tinha o famoso “Expresso da Vitória” como favorito absoluto.
            Mas, o futebol, como afirmava meu saudoso companheiro Benjamin Wright, o “Comentarista que diz a verdade”, é uma caixinha de surpresa.  Com 6 minutos de jogo, o tricolor vencia por 2 a 0 gols de Silas, atacante comprado ao Ypiranga, de São Paulo.
            A partir daí, a partida se resumiu no duelo entre o ataque vascaíno e a retaguarda tricolor. Eu, garoto de 11 anos, fui testemunha de umas das mais memoráveis atuações de um goleiro. Castilho fechou o gol com defesas incríveis.
            “São Castilho” só não conseguiu evitar o gol de Ipojucan aos 30 minutos da etapa inicial. O goleiro tricolor segurou a bola, recebeu o tranco do atacante, caiu, largou a bola que entrou em sua meta.
            Aproximadamente, 34 mil expectadores assistiram a primeira partida entre Fluminense e Vasco, no Maracanã, sob a arbitragem de Carlos de Oliveira Monteiro, o popular “Tijolo”.
            As equipes jogaram com as seguintes constituições:
Fluminense – Castilho, Lafaiete e Pinheiro; Osvaldo, Pé de Valsa e Jair; Robson, Carlyle, Silas, Didi e Jerônimo.
Vasco – Barbosa, Augusto e Wilson; Ely, Danilo e Jorge; Alfredo II, Maneca, Ademir, Ipojucan e Djair.


 
Uma das inúmeras defesas de Castilho na vitória tricolor por 2 a 1 sobre o Vasco em primeiro de outubro de 1950.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Eu vi a estreia de Mané


Eu vi a estreia de Mané
            A tabela do campeonato carioca de 1953 marcava na 2ª rodada os seguintes jogos: Madureira e América, em Conselheiro Galvão; Portuguesa e Fluminense, em Campos Sales; Bangu e São Cristóvão, no Estádio Proletário; Vasco e Canto do Rio, em São Januário; Flamengo e Olaria, no Maracanã; e Botafogo e Bonsucesso, em General Severiano.
            Naquela tarde de domingo, 19 de julho de 1953, como tricolor, seria lógico ir ao estádio do América, em Campos Sales, onde a Portuguesa realizava seus jogos quando tinha o mando de campo. Lá, a lusa carioca ia receber o meu Fluminense.
            O Sol se escondeu naquele domingo.  Não sei explicar, talvez pelo mau tempo, talvez pela distância, mas mudei meus planos. Resolvi assistir Botafogo e Bonsucesso, em General Severiano.
            Levado, quem sabe, pelo destino, o garoto de 13 anos saiu de casa, na Rua Farani, e foi se juntar aos torcedores botafoguenses. Não tinha ideia da importância histórica daquela tarde. Anos depois, acompanhando de perto os fatos e os personagens do mundo do futebol, tomei consciência de que fui testemunha de um dos mais significativos capítulos da história do futebol brasileiro: a estreia de Garrincha, na equipe principal do Botafogo.
            Digo estreia no time principal, porque o ainda desconhecido Garrincha estreou contra o Avelar, em Miguel Pereira, e nos aspirantes enfrentou o São Cristóvão, na 1ª rodada.
            Sentei na arquibancada, do lado da sede social, entre a linha de meio campo e a meta para onde o Botafogo atacou no 1º tempo. Vi de perto aquele jovem de 19 anos e suas fenomenais pernas tortas. Velocidade, dribles desconcertantes. Começava ali o show que durou quase 10 anos. Seu primeiro “João” foi Paulo, o lateral esquerdo do Bonsucesso.
            Quando o árbitro marcou pênalti contra o Bonsucesso, Geninho pegou a bola para bater. O rapaz da Raiz da Serra se aproximou, falou com o veterano craque e, finalmente, marcou o gol. Foram 3 na vitória de 6 a 3.
 Garrincha e Arati, seu descobridor.

Garrincha e Gentil Cardoso, seu primeiro técnico como profissional.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Encontro com Cláudio Magalhães


                                         Encontro com Cláudio Magalhães

            Ontem, dia 11 de julho de 2013, encontrei Cláudio Magalhães. Para os mais novos, ele foi um dos principais árbitros cariocas na década de 60. Parei, olhei bem para ele e exclamei: “Cláudio Magalhães!”  Ele me olhou, demonstrando não estar me reconhecendo. Completei: “Você não está se lembrando de mim.” Ele confessou que não.
            À medida que dava minhas referências, Cláudio foi se emocionando:  “Você me viu apitar?”. Respondi:  “Não só vi, como narrei muitos jogos dirigidos por você.” O papo seguiu, acompanhado por minha mulher Annalúcia.
            Recordei de duas partidas marcantes nas nossas carreiras. As duas em 1963, quando iniciava minha trajetória no rádio esportivo, na Emissora Continental.  
            Escalado para acompanhar a partida entre Canto do Rio e Portuguesa, lá fui eu para o Estádio Caio Martins, em Niterói. O árbitro era Cláudio Magalhães. A equipe visitante jogava melhor e os adversários começaram a apelar para as jogadas ríspidas. Cláudio expulsou Procópio e Nogueira.
            Dirigentes e reservas do Canto do Rio invadiram o campo, a polícia se omitiu e Cláudio foi covardemente agredido. Informei o que estava acontecendo. Alguns torcedores que ouviam a Continental, me identificaram e tentaram me agredir.
           Terminado o jogo, a Portuguesa venceu por 2 a 0, encerrei a minha participação na jornada esportiva e me dirigi ao vestiário da Portuguesa. Horas depois, saí com Lourival Lorenzi, técnico da lusa, que era militar.
 Na decisão do campeonato brasileiro de seleções, em 1963, Cláudio Magalhães foi um dos auxiliares do árbitro mineiro Joaquim Gonçalves. Os mineiros venceram os cariocas por 2 a 1 e se sagraram campeões brasileiros.

Cláudio Magalhães, em 1963, quando integrava o quadro de árbitros da Federação de Futebol do Rio de Janeiro.

            Na decisão do campeonato estadual de 63, assisti o Fla x Flu decisivo, na cabine da Continental, ao lado do grande Clóvis Filho. Cláudio Magalhães, árbitro da final, teve uma excelente atuação, auxiliado por Gualter Portela Filho e Waldemar Meireles. O 0 a 0 deu o título ao Flamengo.
            As lembranças por mim relatadas e tê-lo reconhecido sensibilizaram Cláudio Magalhães, que além de falar sobre os dois fatos, falou sobre sua passagem como técnico da Portuguesa, em 1959, além de citar os nomes de vários colegas que integravam o Departamento de Árbitros da Federação de Futebol.
            Com 88 anos, Cláudio mantém um físico atlético, herdado da saudável juventude dedicada ao esporte. Quando nos despedimos, ele carinhosamente, com os olhos marejados, disse: “Fica com Deus e com ela”.

                                        

terça-feira, 9 de julho de 2013


              1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil

            Esse é o título do excelente filme do cineasta José Carlos Asbeg, que retrata o capítulo mais importante da história do futebol brasileiro. O mundo descobria os gênios Pelé e Garrincha.
As frustradas tentativas de chegar ao título mundial nas Copas de 1950 e 1954 serviram de lições para os dirigentes brasileiros. Ao assumir a presidência da então Confederação Brasileira de Desportos, João Havelange sentiu a necessidade de planejar o caminho a ser percorrido pela seleção brasileira rumo à Copa de 1958, na Suécia. Pela primeira vez se formou uma Comissão Técnica para dirigir a nossa seleção.

No ano anterior, no dia 7 de julho de 1957, convocado e escalado por Silvio Pirilo, estreava na seleção brasileira o garoto Pelé, que completaria 17 anos em 23 de outubro. Pelé entrou no lugar de Del Vechio e igualou o marcador aos 32 minutos. A partida válida pela Copa Roca terminou com a vitória Argentina por 2 a 1.

            Ainda sob o comando de Osvaldo Brandão, nas eliminatórias para a Copa de 58, teríamos pela frente o Peru e a Venezuela. Com a desistência dos venezuelanos, os peruanos foram os nossos adversários.
          
            Empatamos  a primeira partida, em Lima, e vencemos a segunda, no Maracanã, por 1 a 0. A “folha seca” de Didi carimbou nosso passaporte para a Suécia. .

            A caminho da Copa, a seleção brasileira realizou dois amistosos na Itália. Derrotamos a Fiorentina, em Firenze, e a Internazionale, no Estádio Giuseppe Meazza, em Milão. Metemos 4 a 0 nos dois jogos. Mané marcou contra a Fiorentina, o gol que ele considerava o mais bonito de sua vida e deu um show particular diante da Internazzionale.

            Sem Garrincha e Pelé, estreamos na Copa. Vencemos a Áustria por 3 a 0. Três dias depois, empatamos com os ingleses de 0 a 0. O empate não repercutiu bem entre os integrantes da delegação brasileira.      
  
            Antes do jogo contra a URSS, quando Ernesto Santos, nosso competente “espião”, ia passar suas observações sobre a equipe soviética, o Feola disse: “Paulo e Dr. Hilton, hoje vocês não tiram o Garrincha de jeito nenhum”.

             No mesmo estádio da partida anterior, o Brasil mostrou ao mundo os gênios Garrincha e Pelé. O futebol arte da seleção brasileira superou o decantado futebol científico soviético, vencendo-o por 2 a 0.

Nas quartas de final, o Brasil enfrentou o País de Gales. Os galeses jogaram o tempo todo na defesa, diminuindo os espaços, dificultando as penetrações do ataque brasileiro. A genialidade de um jovem de apenas 17 anos, chamado Pelé, nos deu a vitória por 1 a 0.
            Nas semifinais, o Brasil enfrentou o bom time francês. Goleamos por 5 a 2. No 2º tempo, Pelé mostrou ao mundo que aquela Copa era o início de uma caminhada que o levaria ao posto de “Rei do Futebol”, marcando três gols.
 
                Brasil e Suécia disputaram a final da Copa de 58, no Estádio de Rasunda, em Estocolmo. A seleção sueca assustou os brasileiros quando abriu o placar aos 4 minutos de jogo. .
            Belini apanhou a bola no fundo da rede de Gilmar, entregou-a a Didi, que caminhou calmamente até o meio de campo. Atitude classificada por Paulo Amaral como “a frase muda de Didi”.
            A partir daquele momento, o Brasil virou o marcador e chegou aos 5 a 2.  No dia 29 de junho de 1958, há 55 anos, o mundo descobriu a magia do futebol brasileiro e os seus gênios Garrincha e Pelé.
          
 O garoto Pelé toca a bola por baixo do grande Carrizzo e marca seu primeiro gol com a camisa da seleção brasileira.

  
 Com três minutos de jogo contra a URSS, Garrincha, após driblar seus marcadores, carimba a trave de Yashin.

 Mané deixou tontos os defensores soviéticos.

 A genialidade do jovem Pelé conseguiu furar retranca do País de Gales. No fundo da rede, após o gol, Pelé é sufocado pelos companheiros.

 Pelé e Garrincha comemoram um dos gols contra a Suécia, na final da Copa de 58.

Pelé chora no ombro de Gilmar, ao lado de Didi, após a conquista do mundial.
 

Pelé, que viria a ser o "Rei do Futebol", recebe o cumprimento do Rei Gustavo, da Suécia.



sábado, 6 de julho de 2013

Evaristo, ídolo de dois rivais


                                            Evaristo, ídolo de dois rivais                 

 

Ao completar 80 anos, em 22 de junho, Evaristo de Macedo Filho tem muito para contar sobre sua brilhante carreira. Levado ao Madureira, por um amigo, lá pelos idos de 1950, o garoto de 17 anos não imaginava conquistar os corações dos torcedores do Flamengo, Barcelona e Real Madri. 

Em outubro de 1952, Evaristo deixava o Madureira e chegava ao Flamengo:

“Quando cheguei ao Flamengo, o técnico era o Flávio Costa, que foi substituído por Fleitas Solich. Em 1955, eu já tinha uma posição assegurada como titular.”

A melhor de três com o América, que decidiu o carioca de 1955 foi um dos momentos marcantes na carreira de Evaristo:

“O primeiro jogo da decisão ganhamos por 1 a 0. Fiz o gol no último minuto. Dei um chutão lá de longe e ganhamos.

No 2o jogo, perdemos de 5 a 1. Resultado surpreendente. Na final, o Dida entrou e  fui deslocado para centro avante. O ataque foi Joel, Duca, Evaristo, Dida e Zagalo. Vencemos por 4 a 1. Dida fez 3 gols e eu 1.”

No sul-americano de 57, em Lima, Evaristo marcou 5 gols contra a Colômbia, recorde até hoje não superado. Na capital peruana, ele acertou sua ida para a Espanha:


 “O Barcelona me contratou, em Lima, através de seu diretor de futebol. Disse-me  que o Barcelona estava interessado em me levar. Aceitei a proposta e fui. No primeiro ano eu era o único brasileiro na Espanha.”

Evaristo deixou o clube catalão para jogar no grande rival Real Madri:


“Estava há cinco anos no Barcelona. Da metade de 57 a 62, fomos tricampeões da Copa da UEFA, bicampeões da Espanha, campeões das Copas e fui sempre o artilheiro da equipe.

A Federação Espanhola queria que eu me naturalizasse para jogar na Copa do Mundo de 62, no Chile. Mas, eu não tenho descendência espanhola e sim portuguesa por parte de meus avós. Eu não quis e isso causou mal estar no Barcelona.  

A negociação com o Real Madri foi direta comigo. Dariam o que o Barcelona me oferecesse sem a obrigação de me nacionalizar espanhol. Fui ao Barcelona e comuniquei a proposta do Real Madrid. Terminado o meu contrato fui embora.”
 
Evaristo recebeu muitas honrarias pelas brilhantes atuações no futebol espanhol e sua presença é sempre lembrada:


“Faço parte das Associações dos ex- jogadores do Barcelona e do Real Madri. Quando o Barcelona fez 100 anos, fui objeto de uma homenagem muito bonita. Eles fizeram um programa de televisão e me deram um vídeo com os meus gols. A festa foi muito bonita e fui o primeiro a ser chamado”.


No início dos anos 50, Evaristo ingressou no juvenil do Madureira. Ele é o 2o a partir da esquerda. Paulinho Omena (4o) fazia parte do grupo.

 

Emprestado ao São Cristóvão, Evaristo enfrentou o time iugoslavo do Dínamo de Zagreb, em Figueira de Melo: em pé, Índio, Geraldo Bulau, Nei, Aloísio, Hélio e Ratão; agachados, Evaristo, Humberto, Nelsinho, Ivan e Carlinhos. No empate de 3 a 3, Evaristo marcou um dos gols.

 
Tricampeão carioca de 1953/54/55 pelo Flamengo: em pé, Pavão, Servílio, Aníbal, Tomires, Dequinha e Jordan; agachados, Joel, Paulinho, Evaristo, Dida e Zagallo.   
 
 
Em 1957, a grande equipe húngara do Honved realizou uma série de jogos no Brasil. Os capitães Puskas e Evaristo antes do jogo Flamengo x Honved.

 
Seleção brasileira que venceu o Peru por 1 a 0, no Maracanã, nas eliminatórias para a Copa de 1958: em pé, Djalma Santos, Belini, Zózimo, Nilton Santos, Gilmar e Roberto; agachados, Garrincha, Evaristo, Índio, Didi, Joel e Mário Américo.   

 
Evaristo no Barcelona

No Real Madri, Evaristo jogou ao lado do extraordinário Ferenc Puskas.
 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

As lições de João

 Em 1958, Saldanha e Amauri recepcionavam o recém contratado Zagallo.

 No supersuper carioca de 1959, Saldanha cumprimenta Gradim, técnico do Vasco
 João Saldanha e seus companheiros de Rádio Nacional: Moisés Maciel, Paulo César Tênius, José Rezende, Márcio de Souza, Jorge Curi, Pedro Paradela e Waldir José.

João comanda a seleção brasileira nas eliminatórias para a Copa de 70.

As lições do João

As lições do João

Convivi por quase 30 anos com João Saldanha no universo do futebol. Mais diretamente, no período de quatro anos, quando fizemos parte da equipe esportiva da Rádio Nacional. Companheiro leal, direto ao expor seus pontos de vista, solidário e generoso. Numa 2ª feira, estávamos na sala de esportes da rádio, quando o João chegou de terno, fugindo de o hábito do traje esportivo. Moisés Maciel, querido amigo e Coordenador da Equipe, afirma até hoje que achou estranho ver Saldanha de terno e gravata. Algo estava para acontecer. João falou pouco e por volta das 18 horas saiu para a sede da CBD, na Rua da Alfândega. Horas depois o telefone tocou e eu atendi. Do outro lado, a voz: “Cadê o turco”.  Reconheci a voz e respondi: “Fala Johnny”. E ele falou: “Sou o técnico da seleção e quero passar os nomes das minhas de os convocados”. Nasciam as “feras” do João.

Primeiro, Saldanha esteve parte da tarde na rádio e não nos privilegiou a notícia que seria um grande furo. Segundo, quando passou os nomes dos convocados já escalou os titulares e reservas. Na sede da CBD, a atitude de Saldanha causou total espanto. Antônio do Passo, que seria o chefe da delegação brasileira no México, surpreso disse: “Você não nos consultou”. João respondeu: “Prá que, não ia alterar nada. Quem escala sou eu.”

Félix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Brito e Rildo; Wilson Piazza e Gerson.; Jairzinho, Dirceu Lopes, Pelé e Tostão eram os titulares; Cláudio, Zé Maria, Scalla, Joel e Everaldo; Clodoaldo e Paulo César; Paulo Borges, Toninho, Rivelino e Edu eram os reservas.

 

Os titulares pertenciam às grandes equipes do Botafogo, Cruzeiro e Santos. Era o início de uma caminhada vitoriosa que nos levou ao terceiro título mundial e consequentemente a posse definitiva da Taça Jules Rimet.

 

Naquele momento, João Saldanha dava aos técnicos brasileiros importantes lições: personalidade, independência e que convocação não tem mistério. Quem é técnico da seleção tem a sua disposição o maior elenco do mundo. Não tem que fazer experiência. É só escolher os jogadores conforme suas concepções táticas. Quem são, em sua opinião, os melhores de cada posição.

Passamos fácil pelas eliminatórias e quando Zagallo assumiu a seleção, sem tirar seus méritos, encontrou uma base que facilitou as mudanças introduzidas por ele. De lá prá cá, os nossos treinadores custam a definir, convocando vários atletas para as diversas posições e cometem o absurdo de fazer testes. Seleção não tem teste. É ou não é.