segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Camisa 10 ou camisa 8?


     Camisa 10 ou camisa 8?

Ouço e leio com frequência os companheiros falarem e escreverem que falta nos clubes e na seleção brasileira um camisa 10. Enfim, para eles não temos um camisa 10 no futebol brasileiro. Que camisa 10 é esse?
Se os companheiros estão se referindo ao chamado meia armador de grande capacidade de criação, com qualidade de passe e alta precisão nos lançamentos longos estão equivocados.
Nos tempos do sistema WM, jogava-se com dois meias armadores, um pela direita e outro pela esquerda. Desde 1947, com o uso da numeração nas camisas, de 1 a 11 do goleiro ao ponta-esquerda, para felicidade dos narradores esportivos, o meia-direita vestia a camisa 8 e o meia esquerda a camisa 10.
A seleção brasileira no sul-americano de 1949 e na Copa do Mundo de 1950 possuía dois extraordinários meias: Zizinho 8 e Jair Rosa Pinto 10. A dinastia da camisa 8 começou com o Mestre Ziza e continuou a ser usada por seus herdeiros Didi e Gerson. Na Copa de 1958, Didi atuou com o número 6. Na Copa de 1962, no Chile, Didi vestiu a camisa 8.
No final da década de 40 e início dos anos 50, Jair usava a camisa 10, porque Zizinho era o dono da camisa 8. No Santos, o Jajá de Barra Mansa atuava com a 8, porque a 10 passou a ser de Pelé.
Esses monstros sagrados nos encantaram, durante décadas, com passes e lançamentos precisos e extraordinária visão de jogo.  Eles eram os cérebros dos seus times. Todos vestiram a camisa 8.
Em vários times a camisa 8 vestia os meias armadores, muitos ídolos de suas torcidas. Zizinho, no Flamengo e no Bangu, Geninho, no Botafogo, Luizinho, no Corinthians, Rubens, o Dr. Rubis, no Flamengo e na Portuguesa de Desportos, Didi, no Fluminense e no Botafogo, Gerson, no Flamengo e no Botafogo, Neca, no São Paulo, no São Cristóvão e na Portuguesa carioca, Walter Marciano, no Santos e no Vasco.
Na metade dos anos 50 surgiu no futebol brasileiro o maior jogador de todos os tempos: Pelé. Ele tomou conta da camisa 10 e a consagrou mundialmente. A partir daí a camisa 10 passou a ser usada pelo principal craque em alguns times, sendo usada indistintamente por armadores e atacantes.
Assim aconteceu com Zico, no Flamengo, Roberto, no Vasco, Dirceu Lopes, no Cruzeiro, Ademir da Guia, no Palmeiras, Rivelino, no Fluminense. Atualmente, o habilidoso Paulo Henrique Ganso, no São Paulo, e o veterano Alex, no Coritiba, jogam com a 10.
Mesmo com a total desordem na numeração dos jogadores, agora para infelicidade dos narradores esportivos, a camisa 10 ainda é usada pela maior parte dos craques nos clubes e nas seleções. É o caso de Messi, no Barcelona e na seleção Argentina e do nosso Neymar no selecionado brasileiro.
            Portanto quando se afirma que a maioria das equipes precisa de um camisa 10 é porque necessita de um jogador diferenciado, líder, organizador do meio campo, sem esquecer, historicamente, dos eternos mestres donos da camisa 8.
F 01 – Zizinho, o árbitro Gimenez Molina e Maneco antes da partida Bangu e América, no campeonato carioca de 1951.
 

F 02 – Didi ouve o hino nacional brasileiro após a final da Copa de 1962, no Estádio Nacional de Santiago, quando o Brasil derrotou a Tchecoslováquia por 3 a 1.
 

F 03 – Gerson, o nosso “canhotinha de ouro”, na Copa de 70, no México.

 
F 04 – Equipe do Botafogo campeã carioca de 1948: Zezé Moreira, Rubinho, Nilton Santos, Osvaldo Baliza, Gerson, Ávila, Juvenal e o Doutor Paes Barreto; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otávio com o Biriba e Braguinha.
 

F 05 – Linha atacante do Corinthians, na década de 60: Marcos, Luizinho, Silva, Flávio e Gilson Porto.
 

F 06 – Rubens Josué da Costa, o Doutor Rúbis, quando vestiu a camisa do Flamengo.

 
F 07 – Uma das formações do Vasco que disputou o campeonato carioca de 1955: Hélio, Paulinho, Haroldo, Maneca, Orlando e Dario; Sabará, Valter Marciano, Vavá, Pinga e Silvio Parodi.

 
F 08 – Time do São Cristóvão em 1947: Mundinho, Santamaria, Índio, Souza, Florindo e Louro; Cidinho, Neca, Eólio, Nestor e Magalhães.

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